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Transtornos Alimentares e Obesidade

Binge, em inglês, quer dizer farra, bebedeira —assim, o binge-eating poderia ser entendido como uma “farra alimentar”. Essa orgia também é chamada pelos médicos de episódio bulímico, mas, na verdade, o transtorno é diferente da bulimia. Nesse tipo de distúrbio a pessoa também perde o domínio e come exageradamente, mas, preocupada com o peso, faz uso inadequado de laxantes, diuréticos, vômitos auto-induzidos e jejuns prolongados. No transtorno compulsivo, a sensação de remorso não leva a pessoa a tentar reverter a comilança com métodos agressivos —por isso, o comedor compulsivo quase sempre engorda muito. Segundo os especialistas, além dos altos níveis de colesterol, o problema esconde uma baixíssima auto-estima. “Em uma crise, a pessoa pode consumir até 2 mil calorias em menos de duas horas”, diz a psicanalista Eliana Raposo T. Mendes, diretora clínica da Reluzir —Associação Brasileira de Apoio à Prevenção e Tratamento de Transtornos Alimentares, de São Paulo. Lá, ela atende pacientes que já passaram por tratamentos de todos os tipos. “Hoje, os médicos mais sensatos estão encaminhando esses casos para a terapia, conscientes de que não basta receitar anfetaminas”, diz Eliana. Muitas vezes é necessário associar antidepressivos, já que os ponteiros da balança só descem de verdade quando, além das calorias, a pessoa consegue reduzir a ansiedade, principal causa desse apetite insaciável e destrutivo.
GULA VERSUS COMPULSÃO
Gula é aquela bola de sorvete a mais, uma tentação que todos podem se permitir, de vez em quando. Já a compulsão é puro descontrole. “A pessoa não mastiga direito, nem sente o gosto do que está comendo. O binge não é prazeroso”, explica a psicanalista. Movido por questões emocionais e não por fome, o compulsivo está tentando engolir outros problemas. Em geral, não se satisfaz e tem a impressão de ser um saco sem fundo; come para aliviar a angústia e, na maioria das vezes, prefere os doces “Compulsão é quando encobrimos nossa ansiedade, frustração, medo, euforia ou tensão com uma camada de chantilly”, diz Marcelo Kessler, assistente social especilizado no tratamento da obesidade.
FEBRE DE CHOCOLATE
O leite condensado é um dos principais alvos de ataque na hora do binge, mas o chocolate em forma de bolos, bombons ou barras é imbatível. Quando cede a essa compulsão a pessoa exagera na dose e raramente mistura alimentos diferentes. Na prática, a maioria só come doces.
Esse transtorno pode ser a ponta de um grande iceberg, a depressão, envolvendo uma série de aspectos emocionais e fisiológicos. Isso explica por que algumas pessoas são vítimas de binge em determinadas situações de vida e prova que não basta mudar o cardápio, tem de tratar da ansiedade. “É preciso aprender a lidar com ela: na terapia, a pessoa vai identificar os conflitos que detonam esse comportamento compulsivo e pode conquistar autonomia em relação à sua própria ansiedade, sem ficar à mercê da compulsão”, explica Eliana.
Segundo o psiquiatra Adriano Segal, também há que se levar em conta os motivos fisiológicos —os regimes repetidos e os muito restritivos também podem provocar o transtorno. “Dietas milagrosas e desequilibradas do ponto de vista nutricional somadas a hábitos errados, como jejuns de mais de quatro horas de duração, favorecem o aparecimento do binge”, diz o médico, defensor da reeducação alimentar como o primeiro passo do tratamento.

 
         
 

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